"..não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. eu sou uma cadeira e duas maçãs.." Clarice L.

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11/04/2010

O medo da mudança

Por Gui Cury, (o post na íntegra, aqui)



"...Você está vendo essa imagem? Isso é como funciona o pensamento coletivo. As pessoas ficam apertadas nos mesmos pensamentos e vão vivendo assim. É conveniente!  E quando um resolve pular para um ambiente melhor, com mais espaço para pensar novas coisas e onde ele possa se destacar mais, os outros ficam bravos! Sim, aqueles peixinhos apertados dariam tudo para estar lá! Mas é tão difícil dar o salto, não? Pior ainda é reconhecer aquele que teve coragem de fazê-lo.

E assim é com tudo na vida, comecem a reparar…"

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 .... ainda bem, sempre tive um aquário bastante grande...

10/04/2010

Meu barco

Não me diga quem eu sou.
Eu sou o que quero ser, e não o que você determina!
Por isso engula seus pregos tortos
E deixe-me construir meu barco...


Deixa-me navegar dentro de mim
Afundar nas águas irresolutas,
Gritar para a tempestade,
Lutar contra as ondas...


Portanto não me diga quem eu sou!
Ou pra qual lado é o norte de minha bússola
Porque só eu conheço minhas direções,
Só eu conheço o turvo do meu mar

25/03/2010

?


Talvez os olhos quisessem dizer outra coisa, mas como ele iria saber?. Sabe como é, não se ensina por aí como ler olhos. Era só uma vaga impressão de que quando a boca dizia ‘não’, os olhos sussurravam questionadores ‘não...?’. Mas como terminar a palavra e fazer possível entender, por mais que o tom de voz não o fornecesse pistas, que ali existe uma hesitação? Uma interrogação que grita eloqüentemente, berra aos ventos: ‘EU SOU UMA DÚVIDA, EU EXISTO’. Parece mínimo, mas é árduo desentortar interrogações, transformá-las em exclamações (!).

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E se não houvesse mais dúvidas? E se tudo o que fosse dito (principalmente pelos olhos) fossem exclamativas efusivas e taxativas? Se fossemos todos tão exclamativos, nada interrogativos, talvez o amor tivesse menos chances, talvez não existisse mais protestos, greves, interesses, conversas iniciadas, dúvidas esclarecidas, conhecimentos adquiridos, amores difundidos... E cada vez menos decisões bem pensadas. Talvez simplesmente não existisse.. Numa existência sem dúvidas, sem questionamentos, uma simples parte do não-existe.

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Talvez as pessoas se preocupassem menos em ler olhos, e o não seria definitivo. Talvez ele acreditasse no não dela, talvez até ela passasse a acreditar no próprio não. Talvez a vida fosse sem graça sem ela, sem a casa no campo e dias preenchidos por nada, só pelo amor selvagem e doce.

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Se não existissem interrogações, talvez ‘não’ fosse o ponto final de histórias magníficas.

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16/03/2010

100 sóis


Eu não acredito em nada, nem no fim e nem no início
Eu não acredito em nada, nem na terra e nem nas estrelas
Eu não acredito em nada, nem no dia e nem no escuro
Eu não acredito em nada além da batida dos nossos corações
Eu não acredito em nada, 100 sóis até que a gente parta
Eu não acredito em nada, nem em Satanás, e nem em Deus
Eu não acredito em nada, nem na paz e nem na guerra
Eu não acredito em nada além da verdade de quem somos

17/02/2010

Não se adapte!

Então, o que as pessoas esperam que sejamos?
O que elas necessariamente acham ideal?
Será que devo adotar atitudes passivas e ficar vunerável a qualquer imposição que me é posta?
Bom, espero que ninguem me peça isso, não daria certo...

O que vou falar hoje é simples: as pessoas não estão acostumadas. É... Não estão acostumadas a personalidades fortes, a autenticidade, a defesa de opinião ou mesmo à uma opinião. Ninguém quer ser questionado, contradito, ou ouvir algo que não se encaixe a um senso comum!

Exemplo? A Lena do BBB10
(ok, agora é o momento que você me chama de fútil e pergunta porque eu perco meu tempo com esse programa. A resposta é: eu sou fútil mesmo, e ADORO o programa, ponto)
Na última terça-feira, dia 16, a Lena foi eliminada com 52% dos votos. Por quê?

Claro, existem muitos 'songomongos' por aí alegando a prepotência ou a inclinação pra brigas da doutora em linguística. Mas sabe qual a verdade? o brasileiro quer assistir a algo que não é real, quer ver pessoas boazinhas e puras, sensíveis e religiosas, amorosas e compreensivas (leia-se pessoas politicamente corretas, eu prefiro chamar de 'sem sal'). Querem ver bundas redondas e sem celulites, barrigas sem dobras e braços musculosos. Sabe o que mais? elas não querem nenhum tipo de inteligência nisso. Nem uma gota!

Eu não, eu quero é ver a Lena chamar a si mesma de gorda (embora não seja) e mesmo assim colocar um biquini e ser feliz! Quero vê-la questionando as atitudes do Dourado, abominando o machismo do Eliéser, rindo da hipocrisia da Fernanda, se decepcionando com a inflexibilidade da Anamara. Quero ver a Lena mandando a Lia pra 'pqp'. É sim, todos nós fazemos isso. Ninguem precisa ter motivos o tempo todo, todo mundo erra, todo mundo é humano! o Big Brother não é nenhum país das Maravilhas e lá não existe nenhuma Alice.

Não gosto de heóis, e nem acredito neles. Acredito é na parte herói e na parte vilão que cada um tem dentro de si e, conforme situação, ser bom ou... não tão bom assim. O mal é que já nos criaram esteriótipos e, como o programa nada mais representa do que uma parte da sociedade ali, é mostrado exatamente o que acontece na vida real: PAREDÃO/ELIMINAÇÃO.

Eu quero é assistir a um mundo com pessoas que realmente pensam por si mesmas, que não se omitam o tempo inteiro pra agradar a todos o tempo inteiro! Eu quero ver menos repetidores de ideias, menos personalidades passivas! EU QUERO MAIS VERDADE NAS PESSOAS.

Não sei, talvez eu esteja exagerando, talvez não esteja. A verdade é que fiz esse post pra desabafar essa angústia que me dá cada vez que alguem se mostra para o mundo e é apedrejado.

O que eu realmente quero dizer aqui é que sinto uma empatia enorme pela Elenita, e dizer que a admiro muito pela exposição e autenticidade, mesmo correndo risco de rejeição em cadeia nacional. Não só pela Elenita, mas por todos que, assim como eu, são julgados todos os dias, dão tiros no próprio pé, cometem sincericidios, e que são marginalizado apenas por serem a si mesmos por inteiro.

Meu conselho? 
Não siga padrões, não tenha rótulos, não "faça média", não repita comportamentos, não siga a massa. 

Não se adapte... Busque sua verdade...

30/01/2010

Sonhos de Areia

Da areia dessa praia, dessas ondas, o mar me ensina sobre sonhos. Meu castelo de areia não é forte, mas o construí mesmo assim... E eu estava feliz! Reergui todos os grãos de areia necessários. Mas ondas vieram, destruíram-no... Como numa afronta à minha felicidade!
E ali, onde o construí, era como se nunca o tivesse feito. Nem indícios, tudo limpo, atormentadoramente limpo... O mar debocha de minhas lágrimas doces, só porque as suas são salgadas... E mostra que por mais forte que meu castelo seja, alguma onda estará disposta a dissipar cada grão de sonho....
Foi tão difícil juntar todas aquelas partículas de areia, tão difícil amontoá-las, organizar em forma de fortaleza medieval. E agora tudo o que resta é minha vontade de reconstrui-lo. Mas dessa vez não.
Estou cansado.
Sansado de reconstruir meus castelos, meus sonhos. Vou deitar onde as ondas me alcancem. Talvez elas desintegrem todos os meus grãos também. Talvez até me levem até os meus castelos de areia. E nunca mais serei forçado a construir outro... Poderei, por fim, lamentar meus castelos destruídos. Queixar-se ao mar por levar pra sempre meus sonhos, espalhando cada grão na sua imensidão azul.
Fazendo-me sentir tão destruído quanto cada castelo que eu construí...

27/01/2010

Sobre mim

Nada do que eu disser aqui diz algo sobre mim. Como você pode me definir, se nem eu consigo tal proeza? Apenas saiba: abomino seus rótulos. Eu quero viver e minha regra é fazer o que me der vontade e dizer o que eu penso, não muito preocupado em te agradar ou não. Não quer ouvir a verdade? a verdade dói? então não me pergunte. Não vou mentir pra agradar, nem ser eufêmico. As coisas devem ser vistas como elas são, nuas e cruas. É doloroso, mas há algo que não acabe sendo assim, no final? Moralismo, honestidade, pureza intensa e sempre boas intenções são coisas nas quais não acredito. Ninguém é bonzinho por inteiro, por mais que se faça parecer assim. Detesto os mocinhos, sou fã dos vilões. Perco pessoas o tempo inteiro, encontro pessoas o tempo inteiro. Sou eu, desta forma, com esses defeitos. Todo mundo tem uma parte podre, quem sou eu pra não tê-la?

25/01/2010

Não me Cure


Porque isso, meu amor, são mais que flores e som de saxofone. Pode até ser mais um de meus lamentos. Mas é muito mais que palavras, mais que lágrimas. E eu não me importo se você achar que tudo não passa de um show bem ensaiado. Realmente não ligo. Porque sou eu o conhecedor de minhas feridas, de minhas dores. Eu sei exatamente onde tocar e, principalmente, onde não tocar. Sei onde dói, e sei que sou fraco demais pra deixar você saber onde os machucados estão. Por isso eu sorrio. E eu te engano tão bem... Não preciso que você saiba. E não me venha com seus cuidados, eu não preciso deles. Não sei se me quero sentir curado. Seria justo? Seria ignorar todo o amor, toda a perda. Seria jogar fora uma rosa murcha, só porque não encanta mais os olhos de ninguém, e nem desprende de si o aroma doce de outrora. Não pra mim, é claro. Pra mim ela parece a mais vermelha das rosas, e o mais fresco cheiro de alma e luz. Minhas feridas não me fazem mal. Só me faz achar o resto irrelevante e fútil. Eu não preciso que você olhe pra mim com olhos penosos. Não sou vítima. E sinto muito se você acha que não sou feliz. Não preciso ser feliz.

Na verdade, eu nunca fui tão feliz na minha dor...

Porque é essa dor que me fará lembrá-la para sempre...


07/01/2010

A Verdade do Espelho


Olha pro espelho,

Esse rosto pálido

Essa boca crispada

Essa tristeza mal-disfarçada



Sorri para o mundo

Num deboche soberbo

De indiferença e escárnio

E olhos cheios de verdade



Tu já não serves à máscara

Feita sob medida,

A mentira agora é podre

Deixou cheiro de horror



Da têmpora escorre o verde,

Que coloria a tua esperança

E chega aos pés,

Negro como o próprio sangue morto

E essa tristeza louca



Que escorre a jato dos olhos...

Como correnteza,

Vingativa e transitória



Olha pro espelho!

Vê o que não te dizem...

Mas que verdade é essa

Que o espelho conta?

03/01/2010

Renúncia

Oh, perpétuo desconforto
Descabimento do mundo
Que caça o decoro
Como a treva caça a criatura
E traz à alma,
O fel da existência inoportuna

Oh, suprema pseudestesia
Desumana, por fim,
Esse âmago enfadonho
Pleno do mal do mundo
E consciencioso do seu próprio

Oh, imperdoável consumição
Ao propriíssimo, sim
É que a sórdida morbidez
Deve abrir as chagas
Da afronta, da dissimilitude

Oh, evanescente pureza
Leva consigo a desventura
E este ódio dilatado
Que já punge o haver
E tritura a exígua benevolência.

Fernando Franco Filho

Obs.: mais uma de minha coleção de poemas mórbidos