"..não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. eu sou uma cadeira e duas maçãs.." Clarice L.

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09/04/2010

Anne Rice



"… E eu a via doce e palpável à minha frente, uma criatura frágil e preciosa que logo envelheceria, logo morreria, logo perderia aqueles momentos que, em sua intangibilidade, nos prometem, erradamente... erradamente, uma imortalidade. Como se fosse o nosso próprio direito de nascer, do qual não conseguimos captar o sentido até chegarmos à meia idade, quando temos pela frente o mesmo número de anos pelo qual já passamos e que já ficaram para trás. Quando cada momento deveria ser o primeiro vivido e assim apreciado..."

(Entrevista com o Vampiro)

22/03/2010

Carta de Adeus

" Eu pertenço a algum lugar longe daqui.
                      Ou talvez a lugar nenhum, não importa.
      Prometa que vai lembrar de mim com carinho..."

p.s.: Palavras também destroem vidas

12/02/2010

Sou grato


Apesar de tudo, eu agradeço.
Não sei a que, a quem
Sei que sou grato por ela
Sei que sou...

E por tudo, é gratidão
Cada lágrima é riso
“Dê-me um abraço,
Eu te amo, filho”

Silêncio é a pior parte.
Embora, ainda grite a pulmões
Apenas dentro de mim.
Cá bem dentro de nós.

Então eu aprendi:
Lutar contra o mundo,
Com armas de paixão,
“Nunca olhe para baixo”

Mas antes de ir
Ensina-me de novo.
Amar nunca é demais.
Você tem mesmo de ir?

“Eu vivo por você”
E eu sou grato, sou grato.
O tempo foi curto,
Mas meu amor, infinito

06/02/2010

Gargalhe!

Estamos a cento e oitenta quilômetros... E é liberdade, e não medo, que domina cada célula... O vento leva à força qualquer frustração que pudéssemos ter. O mais consciente sentido é o das nossas mãos grudadas entre os bancos. Frias e suadas, mas firmes... Porque não basta fechar os olhos e saborear o vento. É preciso fazer com que lágrimas voem... E tem que se fazer isso com quem mais se ama. E, embora sozinho, ela está ali. As mãos firmes. Os olhos firmes nele. E os olhos dele firmes no fim da estrada. O volante treme loucamente sob a outra mão. O acelerador recusa-se a ir mais fundo. O motor esquenta e urra sob os bancos. As rodas fumegam e flutuam no betume da pista. Tudo pronto, só o vento agora. Quase a duzentos e dez... Fecham os olhos. Suspiram. Gargalham alto. E um reconhecimento do que está por vir transborda silenciosamente de seus olhos. Mas gargalham com vontade, como nunca antes se sentiram capazes de fazer. Sentiam-se plenos e felizes, por fim. Porque embora condenados, é uma felicidade insana que traduz o que sentem agora. Insanidade.
E gargalhavam.
Gargalhavam a ponto de ouvi-la acima do chiado violento dos pneus queimando e do vento em seus ouvidos. Mas então, sem mais estrada, gargalham só ao vento. Mas eles ainda gargalham... E gargalhavam quando o carro voou.
E gargalhavam quando o frio na barriga anunciava a descida
E gargalhavam quando o carro pousou, e quando viraram fuligem...
Mas depois da explosão, não gargalhavam mais. Somente suas mãos ainda eram firmes.
Mas quer saber?
Algo me diz que eles, embora em mil pedaços, ainda consigam exibir em meios sorrisos a felicidade que nunca tiveram quando inteiros.

Vermelho morto



É triste que o cheiro das rosas
Seja agora tão fétido e frio
É triste que o som familiar
Seja memória como vento fraco


É triste que o vermelho
Não seja mais tão vivo
Sendo tão morto
Sendo tão triste...


...Tão triste ver
Toda tua vida resumida
Em mármore e flores,
Em silêncio e lágrimas


Mas o coração ainda guarda
Aquela tua presença,
Aquele teu amor, tua luta
Aquele teu jeito único de dizer,
Coisas que ninguém ousaria


Só não guardo o conforto
Conforto não vem nunca, não virá
Restam as rosas vermelhas e o cheiro de final de vela,
E tardes de sono, e palavras não ditas...
E amor eterno...

04/02/2010

Perdoa-me

Não sei como devo fazer isso, querida... Se devo guardar e me machucar mais ou pensar em todos nossos dias e me concentrar... O fato é que preciso fazer. Preciso pedir perdão, meu amor. Por favor, perdoa o fel das palavras e a brutalidade dos atos. Foi tão estúpido banalizar o amor que tão cedo foi perdido. O real valor só é sentido agora, não mais o tendo. Eu te amo tanto, e agora você foi embora. Eu não sei o que fazer! Serei sempre teu, minhas dores sempre tuas. Não a dividirei com o mundo, isso só pertence a nós. É quase uma insanidade, lutar por mais um dia quando tudo pelo que eu precisava lutar, já foi. Agora é só sentar, esperar. Não vai demorar muito, prometo. Por favor, não se canse de me esperar. Eu sinto tão perto agora, posso até tocar. Tudo que sobrou aqui foi um coração só. Agora você sabe por que meu travesseiro está sempre molhado.

É que estou inundado por dentro, meu anjo.

Afogando...

Desculpe, sei que pareço um bobo, mas não me peça pra viver. Não peça que eu busque felicidade, ou conforto. Não me peça pra superar, eu não quero. Tudo o que quero é esse mundo depois do fim. Para ser idealizado, e saber que alguém chora como choro agora. E enfim desfrutar de um amor que não tive em vida.

25/01/2010

Nuvem Negra

Nuvem negra sobre mim
Chove e queima
Ameaça, abraça
Conforta o ilegível

Nuvem negra me acalma
Derrama-me água escura
Lava a alma
Leva embora água clara

Nuvem negra não vá
Fica aqui, me ama
Satura minha alma de dor
De sonho e horror

Nuvem negra me adora
Limpa o sangue dos meus olhos
Livra o coração
Faz-me sentir o buraco
Que a vida deixou no meu peito

03/01/2010

Visita

O sono não chega. Sente a alma cansada, pedindo paz e descanso.
O corpo permanece alerta. Tudo que vê é a parede branca para qual está virado. Deitado, sente a brisa se enroscar nos seus pés, e sente frio.
Está mais claro agora, mas não pode ser o sol.
É muito cedo para ser o sol.
E se fosse, soaria nesse tom?
Devagar, vira a cabeça.
E então esse clarão absurdo faz fechar os olhos.
De olhos fechados, agora sente algo dentro de si.
Algo que parece inflar e rasgar seus pulmões, costelas e músculos.
Algo chamado saudade - aquela saudade...
Respira fundo, e sente aquele cheiro e aquela lembrança...
Cheiro de banho recém-tomado e rosas orvalhadas.
Suas bochechas estão molhadas, agora.
E desse momento sublime, desprende-se a lágrima tão esforçadamente presa.
Lágrima tão bem escondida, todos os dias. Tão bem disfarçada por um sorriso convincente.
Abre um milímetro de suas pálpebras. A luz agora é menor.
Algo na frente, algo querendo ser visto.
Algo que se resume em amor – aquele amor perdido -, luz e pureza...
Algo que lhe foi tirado, mandado pra longe.
Quer chegar perto, mas está estático.
Agora, seus pés estão molhados...
Uma mão estendida – aquela mão - e um conforto supremo o acalmam,
E uma voz, que antes parecia tão distante e morta, soa cheia de melodia e divindade:
- Eu estou aqui
- Não me deixe nunca – sussurra.
Epílogo: Tudo durou apenas um minuto, mas foi o suficiente para abastecer de conformidade toda a vida dele... E para torná-la eternamente viva.

Fernando Franco Filho