"..não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. eu sou uma cadeira e duas maçãs.." Clarice L.

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10/04/2010

Meu barco

Não me diga quem eu sou.
Eu sou o que quero ser, e não o que você determina!
Por isso engula seus pregos tortos
E deixe-me construir meu barco...


Deixa-me navegar dentro de mim
Afundar nas águas irresolutas,
Gritar para a tempestade,
Lutar contra as ondas...


Portanto não me diga quem eu sou!
Ou pra qual lado é o norte de minha bússola
Porque só eu conheço minhas direções,
Só eu conheço o turvo do meu mar

09/04/2010

Anne Rice



"… E eu a via doce e palpável à minha frente, uma criatura frágil e preciosa que logo envelheceria, logo morreria, logo perderia aqueles momentos que, em sua intangibilidade, nos prometem, erradamente... erradamente, uma imortalidade. Como se fosse o nosso próprio direito de nascer, do qual não conseguimos captar o sentido até chegarmos à meia idade, quando temos pela frente o mesmo número de anos pelo qual já passamos e que já ficaram para trás. Quando cada momento deveria ser o primeiro vivido e assim apreciado..."

(Entrevista com o Vampiro)

28/02/2010

Clarice

Dá-me a Tua Mão

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Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

*
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Apenas pra me perguntar como Clarice consegue ler tão bem o mundo.

04/02/2010

Perdoa-me

Não sei como devo fazer isso, querida... Se devo guardar e me machucar mais ou pensar em todos nossos dias e me concentrar... O fato é que preciso fazer. Preciso pedir perdão, meu amor. Por favor, perdoa o fel das palavras e a brutalidade dos atos. Foi tão estúpido banalizar o amor que tão cedo foi perdido. O real valor só é sentido agora, não mais o tendo. Eu te amo tanto, e agora você foi embora. Eu não sei o que fazer! Serei sempre teu, minhas dores sempre tuas. Não a dividirei com o mundo, isso só pertence a nós. É quase uma insanidade, lutar por mais um dia quando tudo pelo que eu precisava lutar, já foi. Agora é só sentar, esperar. Não vai demorar muito, prometo. Por favor, não se canse de me esperar. Eu sinto tão perto agora, posso até tocar. Tudo que sobrou aqui foi um coração só. Agora você sabe por que meu travesseiro está sempre molhado.

É que estou inundado por dentro, meu anjo.

Afogando...

Desculpe, sei que pareço um bobo, mas não me peça pra viver. Não peça que eu busque felicidade, ou conforto. Não me peça pra superar, eu não quero. Tudo o que quero é esse mundo depois do fim. Para ser idealizado, e saber que alguém chora como choro agora. E enfim desfrutar de um amor que não tive em vida.

07/01/2010

A Verdade do Espelho


Olha pro espelho,

Esse rosto pálido

Essa boca crispada

Essa tristeza mal-disfarçada



Sorri para o mundo

Num deboche soberbo

De indiferença e escárnio

E olhos cheios de verdade



Tu já não serves à máscara

Feita sob medida,

A mentira agora é podre

Deixou cheiro de horror



Da têmpora escorre o verde,

Que coloria a tua esperança

E chega aos pés,

Negro como o próprio sangue morto

E essa tristeza louca



Que escorre a jato dos olhos...

Como correnteza,

Vingativa e transitória



Olha pro espelho!

Vê o que não te dizem...

Mas que verdade é essa

Que o espelho conta?