"..não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. eu sou uma cadeira e duas maçãs.." Clarice L.

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11/04/2010

Não posso

O que aqui segue não é meu, mas é como se fosse.
É de um amigo que escreve pra si, um auto desabafo.
Segue uma linha simples e preza por uma adoração idealizada, numa mescla com a platonicidade...
Enfim, aqui vai :

Queria falar com você
tudo o que sinto
e abrir meu coração
mas não posso
já que não me ouve

Queria poder te abraçar
sentir seu calor
te beijar loucamente
mas não posso
poque você se afasta de mim

Queria ser dono do teu coração
e enchê-lo de amor e de tudo
que mais verdadeiro possa existir
mas não posso
porque outro nele habita

Queria chamar sua atenção
mostar que sempre estive aqui
que ao seu lado é meu lugar
mas não posso
porque sou invisível para você

A única coisa que posso fazer
por enquanto é continuar
a te amar e mentir para mim mesmo
nos meus sonhos onde você
pode ser minha todas as noites

N.M., em 17/07/2006

10/04/2010

Afterglow



 

"...Toque-me e eu te seguirei pelo seu crepúsculo...
Cure-me de toda esta tristeza!
Enquanto te deixo partir,
eu encontrarei meu caminho quando vir seus olhos...
Agora estou vivendo no seu crepúsculo..."


*

*

E ouvindo INXS, anoiteceu em mim...


25/03/2010

?


Talvez os olhos quisessem dizer outra coisa, mas como ele iria saber?. Sabe como é, não se ensina por aí como ler olhos. Era só uma vaga impressão de que quando a boca dizia ‘não’, os olhos sussurravam questionadores ‘não...?’. Mas como terminar a palavra e fazer possível entender, por mais que o tom de voz não o fornecesse pistas, que ali existe uma hesitação? Uma interrogação que grita eloqüentemente, berra aos ventos: ‘EU SOU UMA DÚVIDA, EU EXISTO’. Parece mínimo, mas é árduo desentortar interrogações, transformá-las em exclamações (!).

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E se não houvesse mais dúvidas? E se tudo o que fosse dito (principalmente pelos olhos) fossem exclamativas efusivas e taxativas? Se fossemos todos tão exclamativos, nada interrogativos, talvez o amor tivesse menos chances, talvez não existisse mais protestos, greves, interesses, conversas iniciadas, dúvidas esclarecidas, conhecimentos adquiridos, amores difundidos... E cada vez menos decisões bem pensadas. Talvez simplesmente não existisse.. Numa existência sem dúvidas, sem questionamentos, uma simples parte do não-existe.

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Talvez as pessoas se preocupassem menos em ler olhos, e o não seria definitivo. Talvez ele acreditasse no não dela, talvez até ela passasse a acreditar no próprio não. Talvez a vida fosse sem graça sem ela, sem a casa no campo e dias preenchidos por nada, só pelo amor selvagem e doce.

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Se não existissem interrogações, talvez ‘não’ fosse o ponto final de histórias magníficas.

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25/01/2010

Não me Cure


Porque isso, meu amor, são mais que flores e som de saxofone. Pode até ser mais um de meus lamentos. Mas é muito mais que palavras, mais que lágrimas. E eu não me importo se você achar que tudo não passa de um show bem ensaiado. Realmente não ligo. Porque sou eu o conhecedor de minhas feridas, de minhas dores. Eu sei exatamente onde tocar e, principalmente, onde não tocar. Sei onde dói, e sei que sou fraco demais pra deixar você saber onde os machucados estão. Por isso eu sorrio. E eu te engano tão bem... Não preciso que você saiba. E não me venha com seus cuidados, eu não preciso deles. Não sei se me quero sentir curado. Seria justo? Seria ignorar todo o amor, toda a perda. Seria jogar fora uma rosa murcha, só porque não encanta mais os olhos de ninguém, e nem desprende de si o aroma doce de outrora. Não pra mim, é claro. Pra mim ela parece a mais vermelha das rosas, e o mais fresco cheiro de alma e luz. Minhas feridas não me fazem mal. Só me faz achar o resto irrelevante e fútil. Eu não preciso que você olhe pra mim com olhos penosos. Não sou vítima. E sinto muito se você acha que não sou feliz. Não preciso ser feliz.

Na verdade, eu nunca fui tão feliz na minha dor...

Porque é essa dor que me fará lembrá-la para sempre...