"..não me posso resumir porque não se pode somar uma cadeira e duas maçãs. eu sou uma cadeira e duas maçãs.." Clarice L.

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25/03/2010

Auto-abraço

    

Não abrace hoje,
Lembre-se de todas as auroras
em que os primeiros raios
e tuas próprias mãos
eram as únicas carícias
sobre a tua pele...



...

Sunflowers



- E quando Girassóis trocarem a ternura do sol pelo mistério das estrelas?
- Então você verá que nem só de luz vive o amor

15/02/2010

Madrugada

Hoje foi mais um daqueles dias em que não consigo dormir. Não é falta de sono, nem falta de cansaço. É simplesmente não querer dormir. Temer em gastar um tempo em que posso estar em sintonia comigo mesmo, fazendo algo que faço todos os dias (embora eu saiba que assim que amanheça, meus olhos vão arder e eu vou acabar dormindo o dia inteiro, e lá se foi minha tarde). É a mais pura vontade de ficar acordado, não ligar a tv, não ligar o laptop nem o mp3. É só a vontade de desligar todas as luzes da casa, abrir as janelas e olhar a rua. Olhar o movimento esporádico de carros, ouvir ao longe o farfalhar irregular de ondas e deixar os pensamentos fluírem. 

É bom deixar-se dominar pelos pensamentos e deixá-los determinarem o rumo de seu raciocínio, de sua vontade. É bom ficar imaginando histórias das pessoas dentro dos carros, das famílias que ainda estão com as luzes ligadas (embora passe das 3:00 horas).
Às vezes eu me pego lembrando coisas engraçadas e antigas e acabo rindo sozinho. Tá, tudo bem, se por acaso alguem estivesse me vigiando agora, eu pareceria um maluco total. Um maluco acordado(3:17 agora), sentado na janela no total escuro (a não ser o da lua) e rindo sozinho. Mas acredite: se todas as pessoas fizessem algo semelhante ao que faço agora, talvez fossem mais equilibradas e felizes (tudo bem que eu não sou tão equilibrado e feliz assim, mas enfim...).
O que quero dizer é: o mundo ta tão corrido, selvagem e rápido que as pessoas não têm mais tempo pra si mesmas. Não têm mais tempo de serem só suas por alguns minutos, de se permitirem em alguma madrugada insone. É triste ter que lidar com pessoas que cada vez mais não sabem sobre si mesmas, não têm plena consciência sobre si ou sobre o que elas são.
Eu não. Eu sei que amanhã eu vou morrer de sono e não vou conseguir absorver tudo o que o professor de ciência política disser. Mas eu vou estar ciente de mim e com os pensamentos em dia. =)

A manhã vem linda, e com uma promessa de recomeço que só o sol sabe selar. E eu penso no que eu posso melhorar, consertar meus erros e amenizar meus defeitos (são tantos...) sem, no entanto, me perder ou modificar o que sou.
O frio da lua é substituido aos poucos pelo terno calor dos primeiros raios, e eu tenho a certeza que em minha vida, minha maior regra é a minha vontade. Embora não acredite na felicidade plena, é em busca dela que vou. Como diz uma pessoa que admiro com muita intensidade, "A gente nasceu pra ser feliz" (o blog dela, aqui).

Pronto para enfrentar mais um novo dia? Eu estou! ;D

03/01/2010

Visita

O sono não chega. Sente a alma cansada, pedindo paz e descanso.
O corpo permanece alerta. Tudo que vê é a parede branca para qual está virado. Deitado, sente a brisa se enroscar nos seus pés, e sente frio.
Está mais claro agora, mas não pode ser o sol.
É muito cedo para ser o sol.
E se fosse, soaria nesse tom?
Devagar, vira a cabeça.
E então esse clarão absurdo faz fechar os olhos.
De olhos fechados, agora sente algo dentro de si.
Algo que parece inflar e rasgar seus pulmões, costelas e músculos.
Algo chamado saudade - aquela saudade...
Respira fundo, e sente aquele cheiro e aquela lembrança...
Cheiro de banho recém-tomado e rosas orvalhadas.
Suas bochechas estão molhadas, agora.
E desse momento sublime, desprende-se a lágrima tão esforçadamente presa.
Lágrima tão bem escondida, todos os dias. Tão bem disfarçada por um sorriso convincente.
Abre um milímetro de suas pálpebras. A luz agora é menor.
Algo na frente, algo querendo ser visto.
Algo que se resume em amor – aquele amor perdido -, luz e pureza...
Algo que lhe foi tirado, mandado pra longe.
Quer chegar perto, mas está estático.
Agora, seus pés estão molhados...
Uma mão estendida – aquela mão - e um conforto supremo o acalmam,
E uma voz, que antes parecia tão distante e morta, soa cheia de melodia e divindade:
- Eu estou aqui
- Não me deixe nunca – sussurra.
Epílogo: Tudo durou apenas um minuto, mas foi o suficiente para abastecer de conformidade toda a vida dele... E para torná-la eternamente viva.

Fernando Franco Filho