Eu sinto agora uma urgência dentro de mim. Uma urgência tão grande, mas não sei dizer de que. Talvez seja de sentir o vento deslizando pelo contorno do meu rosto, talvez seja de andar na chuva e sentir cada pingo como uma agulha furando meus ombros. Talvez seja urgência pra ouvir minha música preferida e escutar minha própria voz cantando junto, mesmo que desafinada.
Sinto uma urgência em me sentir vivo, em ocupar meu tempo ou em não fazer nada. Em falar de coisas bobas e rir de coisas mais bobas ainda. Uma urgência em ser teu e não ser de ninguém, de ser tudo ou várias coisas ao mesmo tempo. Urgência de poucos amigos, mas fazer diferença pra muitos. Tenho urgência em não me machucar mais, e não mais ser tão vulnerável o tempo inteiro.Tenho urgência de amor, mas não queria ter. Ninguém quer chorar por amores impossíveis...
Sei que é urgente e sinto: é uma emergência
Preciso jogar as cartas velhas fora, preciso ouvir novamente os CDs antigos. Preciso rasgar algumas fotos e guardar outras em um lugar melhor. Preciso tanto chorar e, no entanto, rir histericamente no meio do choro. Eu tenho urgência em gritar pra enfim fazer o silêncio que preciso dentro de mim. Eu tenho pressa em chegar, mas não sei pra onde vou. Deixo ser guiado pelo vento e pelos meus pés.
Há urgência em tudo que faço agora. Um medo bobo de o tempo ser curto e, simultaneamente, uma vontade de deixar pra depois...
Minha alma pede descanso, mas eu quero intensidade.
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E tudo que sei é que tenho urgências e minhas vontades têm pressa.